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O tratamento da úlcera varicosa

O tratamento da úlcera varicosa  tem características próprias e é diferente do tratamento dos outros tipos de feridas na perna. Há alguns objetivos a serem alcançados:

  • não deixar a úlcera aumentar;
  • não deixar a ferida infectar e;
  • de alguma forma, diminuir a pressão venosa do sangue no membro inferior afetado.

Medidas gerais de tratamento

Algumas medidas gerais e específicas podem e devem ser implementadas para o tratamento da ferida de perna:

  1. Repouso com os membros inferiores elevados – Os membros inferiores devem ficar elevados no maior tempo possível, mesmo que ao nível da cama; mas ainda melhor se o membro inferior afetado puder ficar mais alto que a altura de seu coração quando deitado (se colocarmos um calço no pé da cama de aproximadamente 10 cm, essa posição será alcançada).
  2. Higienização adequada da lesão – é importante manter a úlcera venosa limpa. geralmente a ferida de perna deve ser lavada com soro fisiológico 1 a 2 vezes ao dia quando o tratamento não envolver curativos oclusivos. A pele íntegra ao redor da ferida deve ser bem cuidada e mantida hidratada, porque o processo inflamatório influencia a pele que circunda a lesão.
  3. Curativos – a maioria dos curativos tem como objetivo absorver secreções, evitar contaminação e, por consequência, infecção da lesão e também para alívio sintomático. As pomadas, muito usadas em geral, não tem efeito cicatrizante no tratamento da úlcera varicosa. O uso de pomadas tem como objetivos manter a ferida umedecida e, ajudar a limpar o excesso de ferida. Não é qualquer pomada que é boa e, em cada fase há a necessidade específica de um tipo de efeito desejado.
  4. Bota de Unna – é um curativo no qual se associa uma pasta a base de água,  óxido de zinco, glicerina e gelatina e que é embebida em uma faixa que, após aplicada, se torna dura e inelástica. A pasta ajuda a controlar a infecção e a compressão inelástica diminui a pressão venosa causada pelas varizes sobre a ferida. Dos tratamentos tópicos, é o mais efetivo. Apesar de muito antiga (foi desenvolvida, em 1896 pelo médico Paul Gerson Unna, um dermatologista alemão) ainda hoje é considerado como um dos melhores métodos de tratamento para essa condição vascular. Uma grande vantagem da bota de Unna é que o paciente pode ficar até 7 dias com a mesma. Além da fórmula que ajuda na cicatrização, diminui o inchaço e a coceira.  A maior desvantagem é que não se pode molhar.

    Bota de Unna - Clínica Fluxo de Cirurgia Vascular

    Bota de Unna aplicada sobre um membro inferior com ferida.

  5. Compressão elástica – A compressão elástica (seja pelo uso de meias de compressão graduada ou faixas elásticas) também é frequentemente usada no tratamento da ferida na perna, associadamente aos curativos. Sejam as úlceras varicosas menores ou para aquelas que estejam em fase adiantada de cicatrização, a compressão elástica também é uma boa opção terapêutica.
  6. Medicações – Sob estreita orientação médica, os antibióticos podem ser prescritos na vigência de uma infecção secundária da ferida venosa. As medicações para varizes (ditas medicações flebotônicas) são úteis para  aliviar os sintomas, mas há controvérsias sobre o efetivo efeito no estímulo à cicatrização.
Úlcera varicosa tratada com bota de Unna

Úlcera varicosa pré-tratamento (imagem de cima) e após tratamento (imagem de baixo) com 4 aplicações de bota de Unna.

Medidas específicas de tratamento da úlcera varicosa

Essas são as medidas mais eficazes, usadas tanto para tratamento de uma úlcera ativa quando para ajudar a prevenir o surgimento de futuras feridas. O objetivo principal aqui é corrigir ou atenuar a insuficiência venosa. São elas:

    • Cirurgia de varizes convencional –  Na cirurgia de varizes convencional, as veias varicosas são retiradas. Frequentemente é necessário retirar a veia safena, caso ela esteja insuficiente e seja responsável ou coadjuvante de relevância na insuficiência venosa. Na fase de úlcera ativa, a abordagem pela cirurgia convencional esbarra em riscos de contaminação cirúrgica pela presença da ferida (que pode não estar infecionada, mas sempre é contaminada).
    • Cirurgia de varizes a LASER  Nessa cirurgia, a veia safena magna insuficiente não é retirada, mas cauterizada por dentro. Através da energia laser gerada por um equipamento o laser é transmitido até o interior da veia por uma fibra óptica que navega por essa veia. Durante todo o procedimento cirúrgico, o cirurgião usa o ultrassom  durante todo o procedimento para acompanhar o trajeto da fibra óptica e a ação do laser na veia. Clique aqui para ver um vídeo interessante sobre essa técnica.
    • Escleroterapia com espuma densa  – Essa é uma técnica que é outra grande arma no tratamento das varizes causadoras da úlcera varicosa: As veias insuficientes (varicosas) também são “secadas” (esclerosadas) pela injeção de uma substância que levará à oclusão das varizes. Na escleroterapia com espuma não é necessário retirar ou cauterizar as varizes.

A úlcera varicosa é um problema relevante de saúde pública no nosso país. Todos os cuidados deveriam ser tomados para que um paciente com varizes tivesse acesso a diagnóstico vascular e possibilidade de tratamento. Assim evitaríamos os custos individuais e sociais de tão estigmatizante condição.

Ficamos por aqui, mas posteriormente, em outros artigos, falaremos mais sobre os outros tipos de feridas vasculares.

Lembre-se, as úlceras de membros inferiores devem ser sempre avaliadas e tratadas por um angiologista ou cirurgião vascular.

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Dr. Robson Barbosa de Miranda.

Clique aqui para um Infográfico sobre os diferentes tipos de feridas vasculares

Referências usadas para confecção desse artigo sobre tratamento a úlcera varicosa:

  1. Terapia compressiva: bota de Unna aplicada a lesões venosas: uma revisão integrativa da literatura – Rev. esc. enferm. USP vol.52  São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018
Dr. Robson Barbosa de Mianda é Angiologista, Cirurgião e Ecografista Vascular e editor desse Blog Vascular

 

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