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Doutor, acho que estou com flebite.

Alguns pacientes chegam ao consultório afirmando que estão com tromboflebite. Porém, muitas vezes esses pacientes apresentam varizes e quando sentem uma dor mais intensa e aguda ou uma vermelhidão na pele associam com a possibilidade de estarem com um quadro de flebite.

Entretanto, a tromboflebite ou trombose venosa superficial é uma condição bastante específica e de relativa facilidade para o diagnóstico aos olhos de um profissional treinado para reconhecê-la, o Angiologista ou Cirurgião Vascular.

O que você encontrará nesse artigo:

Afinal, o que é a tromboflebite?

A flebite, ou tromboflebite é o processo inflamatório que ocorre quando uma veia superficial forma um trombo (coágulo) no seu interior. A palavra é formada pela conjunção:

TROMBO (coágulo) + FLEBOS (veia) + ITE (sufixo médico para inflamação)

Então teríamos uma veia com trombose e inflamação. Simples assim. Veja a foto abaixo!

Tromboflebite de perna - Fluxo Clínica de Cirurgia Vascular

Tromboflebite em perna direita

Tromboflebite extensa - Fluxo Clínica de Cirurgia Vascular

Tromboflebite extensa em membro inferior esquerdo

Nas veias varicosas (varizes), pela dilatação e pela tortuosidade dessas veias doentes, o sangue circula mais lentamente ou com dificuldade. A isso chamamos tecnicamente de estase. Essa condição facilita a formação de trombos que desencadeará a inflamação.

 

A tromboflebite ocorre somente como complicações de varizes?

Não! Eventualmente a tromboflebite pode ocorrer em veias previamente saudáveis, porém induzidas por agressões externas. Talvez o exemplo mais comum seja a flebite induzida por medicamentos.

É comum termos conhecimento de alguém que fez uma cirurgia e teve tromboflebite na veia em que foi injetada a medicação durante a anestesia.

Outra situação bem conhecida são pessoas que têm tromboflebite nas veias após terem sido submetidas a quimioterapia por aquelas vias de acesso por onde a medicação quimioterápica é infundida.

Nessas condições de trombose venosa superficial não relacionada à presença de varizes, estudos recentes reconhecem os fatores de risco associados à tromboflebite durante uma internação:

  • Tamanho (largura e comprimento) do cateter
  • Duração do tratamento com medicações endovenosas
  • Local de inserção do cateter
  • Material do cateter
  • Tipo de medicamento infundido
  • Qualidade da veia usada no acesso
  • Tempo de permanência do cateter
  • Tipo do cateter
  • Inserção e cuidado do cateter por equipes especializadas

Ultrassom-Doppler-Tromboflebite - trombose venosa superficial

Veia safena magna trombosada – observe o conteúdo esbranquiçado no interior da veia, que está ocluída.

Outras vezes, pode ocorrer o que chamamos de tromboflebite séptica. Essa é uma condição que ocorre quando há contaminação da parede interna da veia por agulhas ou cateteres contaminados com bactérias ou fungos. Pode ocorrer durante uma internação, em pacientes com múltiplos acessos venosos, mas é muito comum em usuários de drogas injetáveis pelo uso de agulhas contaminadas ou compartilhadas.

Quando a tromboflebite ocorre em veias que não foram agredidas por medicamentos, agulhas e cateteres ou em veias que não são varicosas, é um sinal de preocupação. Sinal de que o(a) paciente pode apresentar uma propensão a eventos trombóticos e também pode estar associado a algum tipo de câncer.

Qual a diferença da tromboflebite para a trombose venosa?

É uma questão semântica. O que chamamos de trombose venosa (ou melhor dizendo, TROMBOSE VENOSA PROFUNDA) também é uma trombose associado a inflamação de uma veia. Porém a trombose venosa como a chamamos comumente, acomete as veias profundas. Aquela trombose das veias que estão localizadas nos planos mais profundos, nos planos musculares. Na trombose venosa profunda, apesar de sentirmos dor, aumento de temperatura, não vemos o trajeto endurecido e a vermelhidão da veia porque esta se encontra em plano mais profundo.

Já a tromboflebite ocorre em veias chamadas superficiais, ou seja, aquelas que estão localizadas abaixo da pele, mas acima do plano profundo muscular. Dessa forma, o processo inflamatório é claramente visível.

Tromboflebite em coxa direita - Fluxo Clínica de Cirurgia Vascular

Tromboflebite em coxa direita

Sumário de algumas diferenças entre tromboflebite e trombose venosa profunda:

Trombose venosa superficial (tromboflebite)

Trombose venosa profunda

Acomete veias superficiais (ex: veia safena)Acomete veias profundas (ex: veia femoral)
Cordão endurecido no trajeto da veiaInchaço de parte ou de todo o membro
Aumento localizado da temperaturaAumento da temperatura em todo o membro
Vermelhidão ao redor da veiaCianose (discreto arroxeamento) de todo o membro
Menor risco de embolia pulmonarMaior risco de embolia pulmonar

 

Referências bibliográficas que dão suporte a essa postagem:

Wallis MC, McGrail M, Webster J, et al. Risk factors for peripheral intravenous catheter failure: a multivariate analysis of data from a randomized controlled trial. Infect Control Hosp Epidemiol 2014; 35: 63–68.

Marsh N, Webster J, Larson, Cooke M, Mihala G, Rickard CM. Observational Study of Peripheral Intravenous Catheter Outcomes in Adult Hospitalized Patients: A Multivariable Analysis of Peripheral Intravenous Catheter Failure. J Hosp Med 2018; 13: 83–89.

Arias-Fernández L, Suérez-Mier B, Martínez-Ortega MC, Lana A. Incidence and risk factors of phlebitis associated to peripheral intravenous catheters. Enferm Clin 2015; 27: 79–86.

Nyika ML, Mukona D, Zvinavashe M. Factors contributing to phlebitis among adult patients admitted in the medical-surgical units of a central hospital in Harare, Zimbabwe. J Infus Nurs 2018; 41: 96–102.

Heng, S. Y., Yap, R. T. J., Tie, J., & McGrouther, D. A. (2020). Peripheral vein thrombophlebitis in the upper extremity: a systematic review of a frequent and important problem. The American journal of medicine133(4), 473-484.


Dr. Robson Barbosa de Miranda é Angiologista, Cirurgião e Ecografista Vascular

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